Acendi um baseado pra pensar em você

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Acendi um baseado pra pensar em você. É uma das coisas que eu mais gosto de fazer no mundo. Bolei rapidinho na mesa da sala, deitei no sofá e fumei inteiro, sem pausa. Viajei lembrando daquela vez que você me disse que eu tinha um olhar ameaçador enquanto bolava baseados. Não sei. Nunca fiz isso de frente com um espelho pra saber. Mas se você disse, eu acredito. Taí um fato: eu nunca duvidei de você sobre absolutamente nada. E você me falava que tudo ia ficar bem, que as coisas iam melhorar e eu sempre acreditava.

No dia que eu te peguei no aeroporto suas verdades pareciam meio moles, frouxas. Não eram mentiras, mas faltavam pedaços para terem a firmeza e confiança de sempre. Então você disse “Ana, por favor, para que eu quero vomitar!” e logo em seguida abriu a porta. Você vomitou tanto que deu tempo de eu pensar muito sobre aquilo, sobre a cena, sobre a primeira coisa que você disse diretamente para mim ter sido que você precisava vomitar.

Depois você limpou a boca, agradeceu, eu te ofereci uma garrafa de água e você bebeu o resto todo. A gente ficou um bom tempo em silêncio no carro enquanto voltávamos para casa. Pensei em te levar direto pra minha casa, mas achei melhor dirigir na direção da sua. Eu estava confusa. Não que o fato de você estar passando mal significasse alguma coisa especial no momento, é que a frase “Ana, por favor, para que eu quero vomitar” ficou na minha cabeça o caminho todo. Meu nome é Raíssa, mas você descobriu isso no dia em que a gente se conheceu, quase dois anos antes.

Acendi um baseado pra pensar em você, mas decidi pensar em outra coisa quando lembrei disso… desculpa.

 

foto bob sala