Deve-se amar para ser importante

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As coisas precisam de amor para que sejam importantes. Deve-se amar muito algo para que isso se torne algo de significado real. E não estou falando do amor romântico entre pessoas, desses sentimentos pegajosos que dão origem a livros, filmes e decepções. Do outro lado do amor cor de rosa e macio existe o amor áspero e espinhento, um amar quase louco, nocivo, de noites mal dormidas e pensamentos intranquilos. Amor, por exemplo, por uma ocupação.

Você ama o que você faz para viver? Ama de verdade? Mais cedo ou mais tarde o que a vida cobra é o amor. Não vão exigir demais que você seja íntegro, nem eficiente, tampouco inovador. Exigirão, sem saber, que você seja um eterno apaixonado. Amar uma profissão é um bom exemplo de como o amor pode ser cruel e violento. Abre-se mão, muitíssimas vezes, de tempo com a família, com amigos, vendo estrelas, jogando a bola para o cachorro, em troca de um bom trabalho, de uma bela meta, de uma superação profissional.

A maioria das pessoas que eu conheço que conseguem manter uma rotina de exercícios intensos e alimentação regrada são literalmente apaixonadas pelos próprios corpos. Sorrisos bonitos, cabelos alinhados, roupas que caem como luvas sob medida, atenção, reconhecimento, satisfação pessoal: amor. Desconfie um pouco do discurso saudável de quem já está parecendo a Barbie ou o Max Steel e continua se matando. Isso às vezes é narcisismo, mas você pode chamar de culto ao corpo, neurose, padrão de beleza, pressão social, loucura ou, simplesmente, amor. Tem gente que ama aquilo e por isso continua indo todo dia, toda hora, sem descuidar.

Eu me formei em jornalismo e acho que em muitos poucos momentos eu amei verdadeiramente a minha profissão. Quando abandonei a redação de vez percebi muito claramente que não voltaria tão cedo. Talvez nunca mais. Tenho visto amigos atirando para todos os lados e tentando investir vida em caminhos pelos quais não sentem nem uma quedinha, que dirá paixão ou amor. Se você ler essas entrevistas de gente de sucesso sempre vai encontrar a frase clichê “eu amo o que eu faço” e, por mais que pareça puro marketing, tem gente que realmente é bom porque é apaixonado. Ninguém perde tempo com coisas que não considera importantes. E para ser importante tem que ter amor.

Não pretendo muita coisa com esse texto, só confirmar, por escrito, para mim mesmo, que fazer o que se ama é o melhor caminho para continuar caminhando. É sempre bom me lembrar disso. Amor é importante, isso é lei.

 

foto andre andreev