E se eu te trocar pela minha melhor amiga?

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“Amor, eu te amo, mas ela me ama muito mais do que você!”

Poderia ser uma mentira, mas é uma true story! E não é o tipo de história em que a moça troca o namorado nota 4,5 pela amizade incondicional de quem sempre esteve lá para tudo. Não é uma questão de trocar um relacionamento amoroso por uma amizade inquestionável: é troca de parceiro mesmo. Ela pulou fora de uma relação estranha e instável para se jogar de cabeça na vida de uma pessoa que a conhecia como ninguém. Partiu do meio da rotina a vontade de ser par da melhor amiga. Não foi coisa de filme, de livro, de ideia alheia, mas sim da falta que existia no fim do dia. Namoro é um esporte que se joga em duplas! Se no momento da partida sua dupla faltar, é sempre natural chamar um amigo para ocupar o lugar. Foi o que aconteceu.

Olhando de fora pareceu bem inusitado, mas depois ficou claro que a decisão era praticamente inevitável. A maior queixa dela sobre o antigo relacionamento era a ausência do rapaz. O mês inteiro era pincelado por quatro ou cinco datas em que eles ficavam juntos de verdade, de manhã até o fim do dia, fazendo coisas que ambos gostavam e curtindo a companhia um do outro. E cinco datas no mês era considerado um mês bom! Houve uma época em que se viam em pequenas frações de horas e, se juntasse todo o tempo que passaram juntos não daria um dia completo. Ele alegava muito trabalho. Bem, todos trabalhamos e, ainda assim, temos tempos para nossas coisas pessoais. Ele também tinha. Ir ao banco, cortar o cabelo, ir ao jogo do time do coração, visitar familiares, comparecer a reuniões de amigos e até, vejam só, jantar fora, sempre foram programas cativos na agenda do jovem. O único problema desse conjunto de atividades superdinâmicas é que ela não estava incluída.

Durante muito tempo ela foi paciente, afinal, “melhor um namorado que trabalha demais do que um que não trabalha nunca”. Quando completaram um ano de namoro ela preparou uma surpresa especial. Tinha de tudo, de mesa em restaurante badalado a lingerie cara e reserva de hotel. O conjunto de experiências românticas veio acompanhado de um presente escolhido com a precisão de quem ama e quer surpreender a todo momento. Ele gostou muito, é claro. O problema é que todo o empenho dela não retornou nem em formato de lembrancinha comprada na conveniência do posto de gasolina. Nada. Nenhum presente. Nenhuma mensagem romântica. Nenhum gesto sequer. Ele simplesmente sentou na janela e aproveitou a viagem, enquanto ela pilotava o trem e servia café ao tripulante. O mesmo, exatamente igual, aconteceu no dia dos namorados. Foi quando ela percebeu o alarme tocando: “esse namoro tá uma merda!”.

Em todos os jantares desmarcados, todos os sábados em que o namorado não podia sair e até em todos os momentos banais como uma folga repentina na quarta-feira à tarde eram combinadas com a presença da amiga. E essa sim era presente. Elas não precisavam se esforçar para o encontro ser bom. Os bares eram o destino preferido, mas tinha de tudo: restaurante caro a show alternativo e festa estranha com gente mais estranha ainda. Elas riam, era leve, era calmo e tudo parecia mais interessante. Achavam graça da incapacidade homens em ver duas mulheres juntas sem precisarem se intrometer. E gargalhavam com os foras que davam, com as frases ácidas e com a maneira como o mundo não estava preparado para aquela amizade tão livre.

Diante de tantas noites românticas transformadas em bebedeiras, a primeira vez que ele a chamou para sair e ela recusou pareceu mais normal do que ele podia imaginar. “Não posso hoje, amor. Marquei de sair com ela”. Foi simples assim. Um dia deram um beijo de brincadeira, e a brincadeira pareceu correta demais para acabar ali. Brincaram de beijar muitas outras vezes, em situações diferentes, até que um dia marcaram de simplesmente ficar se beijando. E a amizade era a mesma, os programas os mesmos, os assuntos os mesmos, mas agora com beijos e carícias e um sentimento quente e confortável que envolvia as duas quando estavam juntas. Se tornaram um casal antes mesmo de saber que isso era o que sempre quiseram. A amiga estava sempre por perto porque também vivia amarrada a um relacionamento com um cara que trabalhava demais. Talvez trabalhar demais seja a desculpa clássica para o homem ausente, seja ele um péssimo amante, um péssimo pai ou um péssimo ser humano mesmo.

Hoje é um universo de alegrias e descobertas diárias que tomou conta do vazio que existia no espaço que elas reservavam para os homens com quem viviam. Ou não viviam. Trocar um namoro “de merda” por um namoro “de cinema” foi só uma questão de tempo. É o que acontece com gente que busca a felicidade ao invés de se lamentar pela infelicidade de cada dia. Elas são lindas e felizes, eu as conheço e tudo isso faz parte da vida. Se permitir ser feliz é uma questão de escolha.

 

foto liam burnett-blue