É tipo o verão

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– um texto para ler devagar, ouvindo exatamente isso

 

Parece com o verão a sensação de gostar de alguém. Quente, amistoso, exótico, erótico, colorido… As sensações e imagens são nostálgicas e importantes, os olhos querem se fechar a todo momento, como se tudo ofuscasse um pouco, apesar de muito bonito e interessante.

Sons de violão, vozes tranquilas, filmes em câmera lenta, fotografias de gente dos anos 80 na casa da vó, camisa aberta, refrigerantes em garrafas de vidro e copos com formatos complicados. Feriado na segunda, piscina morna, concha intacta, champanhe aos litros. O verão inspira. O gostar de alguém também.

As conversas sobre qualquer coisa, comentários sobre aquela foto estranha no outdoor da estrada, “quer alguma coisa da conveniência?”, um chocolatinho surpresa comprado na hora de pegar o troco da padaria. Amor em pequenos beijinhos, na hora de sair, antes de dormir, quando pega o elevador, quando sai do carro.

É como quando as cordas do violão são novíssimas, superafinadas, e você sabe a letra da música de cor, e os acordes saem perfeitos, e sua serenata se transforma em uma legítima mensagem de amor. Gostar de alguém e ser correspondido é a tradução da paz. É paz em forma de vida. As plantas crescendo no quintal, barulho de água, de onda, de gente empolgada contando história. Tudo isso é amor. Tudo isso é verão.

A moleza, o laranja espalhado nos cômodos, o reflexo de luz na parede de porcelana do banheiro. O verão tem formas sensuais de se fazer presente. O beijo na nuca, olhar de canto de olho, sorrisos tímidos e abraços longos demais. É a mesma coisa. Frutas frescas, bebidas com gelo, cheiro de mato, floresta, bichos ariscos, suco com bagaço. Sexo de janela aberta, tecidos de algodão, chinelos, biquíni, cabelo preso, marcas claras no bronze da pele.

Tudo naquela parte da música do Daniel Caesar, quando canta “this feels like summer“… é quase uma confissão.

É quase um verão. É quase o amor.

 

 

foto guillaume gaubert