Eu prometo!

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Depois de tudo você vai ajoelhar em qual altar? Vai pedir perdão pra quem? No fim não tem mais nada a dizer, é só pegar as coisas, juntar os panos de bunda e ir pra vida, pro mundo, pra aquilo que dá medo e não tem forma nem cor. Seja bem-vindo ao futuro incerto. Não tem perdão que garanta vida próspera, nem sorte verde, nem felicidade larga. Vai se ajoelhar pra que, então?

Todo mundo tem suas próprias cruzes pra carregar e não é vergonha nenhuma dizer que está difícil, contar pro mundo que tá doendo, que tá pesado pra caralho. A vida é boa porque não é fácil, se não seria banal, bunda, qualquer coisa. Você vai se arrepender das coisas que pareciam boas e não eram, vai se amaldiçoar por algumas escolhas que geraram desconforto, vai pedir para voltar, vai pedir para ficar, vai pedir para nem ir e, no fim, é a vida mesma que está tomando forma.

O acaso mora ao lado, um pouco pra frente da porta da sala, ali pelo corredor, uns dois apartamentos pra direita. O acaso também paga R$650 de condomínio, também achou a nova cor do portão da garagem uma merda, também busca cartas quando chega do trabalho e também pede pizza quando está chovendo. Saber que não sabemos nada dá medo, mas é melhor assim do que viver na ilusão de que estamos no controle. Não controlamos nada, nunca. A vida é só o palco.

Tem dia que não dá pra segurar e a alma chora por dentro, daquele jeito dolorido e quente, sufocante, silêncio de desespero e gritos de fuga. Se tem uma coisa barulhenta nesse mundo é a alma alheia. A nossa, infelizmente, só a gente não consegue ouvir! A dos outros conta tudo pra gente, sem filtro, sem pudor nenhum. A alma alheia revela raiva, medo, tristeza, solidão, desconfiança, alegria, amor, desejo, pavor e devoção. A nossa não nos diz nada, nunca.

Mas tudo bem. Sempre “tudo bem” porque se não dá para mudar, não adianta brigar na base de murro em ponta de faca. Tudo bem, a gente sofre, se fode, se cansa, mas curte uns momentos legais. A gente ainda tem amigos engraçados, ainda tem lugares incríveis para conhecer, ainda tem doces inacreditáveis da padaria do centro. A gente ainda tem um dinheirinho pra curtir umas coisas que a gente gosta, ainda tem aquela festa no fim de semana, ainda consegue trepar gostoso e gozar forte e, acima de tudo, mesmo que não seja sempre, ainda consegue ser feliz.

A gente vai sobreviver. Eu prometo!