O bom da vida!

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Logo eu, que passei tanto tempo reclamando da falta de momentos livres, da falta de criatividade e da falta de novidade, me peguei afogado em pensamentos abstratos demais. No meio desse monte de relíquias modernas descobri que às vezes a gente sabe exatamente, mesmo que por um curto espaço de tempo, tudo o que precisamos para sermos felizes.

O bom da vida está por aí, jogado nas mesas de bar, nos pães com manteiga na chapa na padaria da esquina, nos carros que trafegam lentamente num congestionamento fora de hora no meio da semana. O bom da vida está em todo lugar: a gente só não vê porque o estado de espírito não nos deixa. Mas tudo bem, mais cedo ou mais tarde todo mundo se pega vivendo um momento de felicidade espontânea e cai na real de que é muito mais simples do que pensamentos. Ser feliz custa pouco, às vezes, quase nada!

O grande barato da vida está em resolver grandes problemas durante a madrugada só porque estava ocupado demais durante o dia fazendo o que dava mais prazer. A felicidade veio me pegar em uns momentos inexplicáveis, tipo quando estava carregando a caixa do meu novo violão pelo meio da rua em pleno horário de rush, ou quando estava batucando um tamborim desafinado num churrasco de gente pouco conhecida. São simplicidades que trazem tudo que é complexo consigo.

O bom da vida está em encontrar uma rádio de black music no som do motel e transar ouvindo Emicida, ou poder ficar pelado conversando sobre a vida sem se preocupar com o tempo, com o dinheiro, com o sentido ou com o conteúdo, só focar no momento. Descobri que é possível dar mais risadas em momentos sérios do que durante grandes shows de humor. É da maneira ridiculamente séria com que nós tratamos os cretinos que nascem as situações realmente hilárias. A gente valoriza cada coisa/gente sem valor…

A parte legal das coisas está escondida no momento da flexibilidade de opiniões e ações. Naqueles microsegundos em que decidimos nos sujeitar a alguma coisa que nos parecia negativa, ou a interagir com determinada realidade que não nos é familiar é que estão as grandes descobertas da vida. A felicidade é se sentir confortável saindo da zona de conforto. Ousar, permitir, intuir e aceitar são coisas que vêm junto com descobrir, apreciar, admirar e absorver.

Ouvir uma música que você não gosta pode ser a chance de descobrir novos gêneros. Conhecer pessoas das quais você nunca foi com a cara é uma ótima chance de fazer novos amigos. Admitir pontos fracos e defeitos que você passou a vida escondendo pode ser uma ótima maneira de aliviar tensões. Ser você, acima de tudo, ainda supera qualquer tipo de subterfúgio e fingimento de socorro. As pessoas gostam do que é real, o fake a gente já vê nos livros e cinemas.

O barato da vida está em olhar pro lado e sorrir, olhar para trás e sorrir, imaginar o futuro e sorrir e fechar os olhos sem precisar desmanchar o sorriso. O barato da vida é barato mesmo, às vezes custa o preço de uma passagem de ônibus, ou uma garrafa de cerveja, ou o ingresso do cinema. Não é fortuna, não é figurino, não é conteúdo de copo, nem de bolsa, nem de caixa. A felicidade é o tipo de coisa que preenche o ambiente de nada, só de sensações.

As partes mais legais da vida ainda são de graça, por mais que  estejamos cada vez mais mergulhados em objetivos que envolvem algum tipo de lucro monetário. As melhores coisas estão dentro das fotografias, das mensagens de texto, dos e-mails e das ligações telefônicas. Nada que é feliz está preso numa loja, ou exposto em uma vitrine, ou sendo oferecido na televisão. O importante é o que você vai fazer com aquilo! O que é feliz está sendo dividido o tempo todo com quem você gosta, com outras pessoas felizes e é isso o que importa, mas a gente só percebe isso quando consegue um pouco de liberdade.

Essa sim é coisa rara e difícil de ter, mas a gente se vira, não é? A gente se vira, pode apostar!