Memórias Utópicas

Os potes

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Os potes todos organizados, lado a lado, cores e tamanhos, na ordem. Todos amontoados nos armários da cozinha do fundo, vazios, sem serventia. Tupperware morre de fome em casa de rico, você sabe. E eu sou rico. Rico pra caralho. E essa cozinha do fundo é a cozinha de lembrar que um dia a gente não foi rico. É cozinha de fogão de quatro bocas, microondas da linha branca da Continental. É a cozinha do tempo do “é o que tem, é o que dá”. Mesa com conjunto de quatro…read more

Onde você foi?

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Desse vento úmido e frio que invade a casa no fim de tarde eu só sei o nome: Vento. Não o conheço, não sei nada sobre sua origem, nem sobre seus interesses, mas me abro com ele como se fossemos amigos antigos. Contei a ele que ando esperando que você volte, que tudo se encaixe como tábuas de uma parede que se desmancha para uma reforma breve. Cada tábua tem seu lugar específico, cada vida tem seu par exato. O meu é você. Até o Vento já sabe disso. Eu…read more

Boa noite, povo!

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Batendo palmas e dançando dentro de um vestido de tecido simples, estampado de flores azuis e amarelas, ela entrou na sala e roubou a atenção de todos. Havia uma luz intensa e nítida ao seu redor, como se algum spot de luz houvesse iluminado a personagem principal de uma peça que acabava de começar. Era ela a personagem. Só que não havia teatro, nem spots, nem mágica. “Em algum lugar, em uma dobra do tempo muito longe daqui, existe uma estrela com o seu nome e ela brilha em contagem…read more

Hoje eu não vou voltar para casa, amor

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Essa é minha última transmissão. Depois dessa, nada mais será dito, escrito ou pensado por mim. Estou acabando, findando minha participação, recitando as últimas linhas do meu monólogo e as cortinas já estão prestes a fechar. Serei novamente pó de estrela, essa matéria mágica que forma e deforma todos nós. Sei que parece clichê, mas daqui de cima tudo que eu penso em dizer é que a Terra é incrivelmente azul, mesmo com toda a poluição e a porção de decisões erradas que a gente tem tomado com as florestas….read more

A casa

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Eu queria um sofá de três lugares com assentos largos e encostos macios e confortáveis, com aquela coisa de puxar para frente e poder esticar as pernas. Queria uma mesa amarela para ficar colada na parede da copa, pelo lado da sala, para colocar um vaso de flores ou uma besteirinha qualquer para alegrar a cena. Quero decorar a casa com cenas. Na parede oposta à cozinha gostaria de ter muitos quadros, de tamanhos, molduras e temas diferentes. Arte, essa droga tão perfumada que eu sempre respirei, vai ter lugar na…read more

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Você marcava minha vida!

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A pasta de dente aberta no armário do banheiro; a escova enfiada no copo com as cerdas para baixo; o chão todo molhado fora do tapete, a tampa da privada abaixada; o chuveiro pingando com o registro mal fechado; uma calcinha encharcada pendurada nele; a toalha embolada sobre o trilho do box; uns bolos de cabelo enrolados na tampa do ralo; a porta entreaberta; e o cheio de creme hidratante. O quarto revirado; umas roupas jogadas no pé da cama; o carpete com marcas de pés molhados; a toalha molhada…read more

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Pequenas Alegrias Coletivas

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Tenho o costume de saber valorizar os momentos e seus significados na minha vida, mas nem sempre conto para as pessoas que estão dividindo essas cenas comigo o quão feliz eu estou por estar ali. São coisas simples, tão simples que beiram o bobo, o banal, mas são dessas coisas que são feitos os dias bons. São detalhes açucarados, coisas sem importância pra quase ninguém, mas eu guardo e estimo esses momentos como se tivessem peso de ouro. São o que eu chamo de “PAC”, Pequenas Alegrias Coletivas. Eu sou…read more

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A festa

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Da rua já dava para ver a sala toda acesa, com as cortinas amareladas na luz da lâmpada quente e umas sombras zanzando, um pessoal segurando coisas e tudo mais. Festa em casa. Abri o portãozinho da rua, daqueles baixinhos que só servem de enfeite, porque qualquer criança de menos de 1 ano de idade já seria capaz de abrir ou pular por cima sem muita dificuldade. Abri a porta e a primeira coisa que vi foi o panetone de 5 kg na mesa da sala, com uma vela de…read more

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Fuga: sucesso!

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Fugiu porque era a hora, o momento estava ali, a oportunidade se tornou lei e então foi. E diz-se que fugiu porque é mais fácil entender, mas na verdade, só foi, porque não estava sendo procurado por ninguém, se não pela própria vida. Largou a rotina no meio, na quebra do tempo e foi, porque tinha pra onde ir, porque já sabia o destino e então seguiu na direção. Fugiu de si mesmo, talvez, mas diria para todo mundo que estava “indo ali” e voltava logo. Se voltasse, seria logo….read more

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Quem não atira, não dança

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Na minha terra sempre foi assim. Tem que saber das coisas da vida, do girar do mundo e tem que saber atirar. A felicidade vem da segurança e isso a gente só consegue na base da bala. Matando um leão por dia, um vizinho por hora, derrubando e sambando de felicidade. Lá sempre foi assim e acredito que se hoje, meio que por acaso, eu tropeçar e cair lá, vou perceber que nada mudou. Não muda porque funciona e em time que ganha a gente não mexe. Aposta-se uma vida…read more