Memórias Utópicas

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O circo no quarto

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Por cima dos móveis da sala só copos, latas, garrafas e lixo. Lixo de festa, papéis estranhos, coisas amassadas, embalagens, e sujeira esparsa, acumulada, enfeiando a decoração. Cervejas, vodcas, combinados, vinhos, espumantes, frizantes, algumas solitárias garrafas d’água e uma ou duas latas de Coca-Cola. Da vermelha, com açúcar, pra misturar a vida, a noite, tudo num copo só e mandar para dentro. O tapete meio jogado no canto, o chão de madeira riscado de salto, de vidro quebrado, de pista de dança improvisada em festa sem controle. No corredor pro…read more

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Te amo e te mato (meio)

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De repente a casa está linda, do jeitinho como se diz que deve ser uma casa saudável. O chão de madeira tem cor e brilho de madeira, as paredes estão limpas, lisas e fortes. A cozinha está mobiliada e tem frutas na fruteira, pão no armário e ovos na geladeira. Tem coisa pra caralho na geladeira, na verdade. Tenho uma empregada! É, precisei de alguém para cuidar dos assuntos que não me dizem respeito, como a minha vida, por exemplo. Dona Cida cuida de mim como uma mãe, comprando as…read more

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Te amo e te mato (começo)

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Desde que o barco virou, que o destino se pintou de outra cor, tudo que parecia amor se transformou em lembranças incômodas, cinzas e marrons, amontoadas no meio de um monte de revistas velhas, livros que ninguém leu, xícaras que ninguém lavou e cigarros que ninguém vai fumar nunca mais. Veio uma avalanche de pó, ácaros, teias de aranha e folhas secas, numa onda incontrolável, assim que abri a porta do meu peito para ver o que é que tinha dentro. É o fim da espera pelo fim, e dói….read more

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Senso e silêncio

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Os poros se abrem, a pele arrepia, as pupilas dilatam e, de repente, o mundo é todo sensível, tátil e moderno. É como se tudo que é velho fosse, novamente, novo, mesmo mantendo sua aparência judiada pelo tempo. Dura segundos, microsegundos, mas produz efeitos para a eternidade. Introspecção, elevação, energia e dom. Aqui onde eu estou, nesse lugar especial por ser normal, nesse canto do mapa que eu costumo chamar de “Cidade do Futuro”, o passado se instalou com força e nunca mais foi embora. Ontem, literalmente perdido num labirinto…read more

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Café da manhã

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Um gosto forte de bile debaixo da língua, os lábios secos com a pele grudando um ao outro, uma dor de cabeça por trás dos olhos que não parecia ter tamanho mensurável e uma irritante luz de sol, forte e determinada, mirando meu rosto acabado. “Bom dia”, disse para mim mesmo, olhando para meu corpo estirado no colchão, meio coberto por um lençol fino, meio descoberto e desajeitado. Não era das melhores manhãs, mas era um novo dia e isso já era bom demais, apesar de todos os incômodos que…read more

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Se tiver tempo de ir pra Manhattan

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Preciso fazer compra. A geladeira está parecendo uma piada. No congelador tem o peru que ganhei da empresa na véspera do natal, mas está fantasiado de iceberg. Do lado tem uns potes que eu não me atrevo a abrir, deve ser coisa da empregada, sei lá. Prefiro não saber que tipo de monstro está dividindo espaço com a minha comida. Como dizia Bert McCraken, grande pensador contemporâneo: “Saber de nada é melhor do que saber de tudo”, e eu concordo com ele quando o assunto é pote de coisas que…read more

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Quarta-Feira

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Um monte de cigarros, todos fumados. Uma porrada de bituca velha socada num cinzeiro que mais parecia uma pilha de lixo, com filtros usados de todas as marcas misturados com papeis de Trident e 7 Belo. No resto da mesinha o campo de batalha estava formado. Garrafas de cerveja meio bebidas, copos, alguns trincados, dois quebrados e um monte de amendoins jogados e pó de cinza de narguile misturado com cinza de cigarro misturada com cerveja derramada misturada com um pó branco, cocaína, eu acho, não sei, não vi ninguém…read more