Memórias Utópicas

O peito se abre de bom grado para a passagem de quem se ama

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Ela encostava a testa na minha, me olhava nos olhos, enrolava os dedos nos meus e dizia “eu nunca vou te largar, eu nunca vou te largar, eu nunca vou te largar” e me beijava em seguida. Dizia três vezes porque acreditava que era assim que tinham de ser as palavras com valor e não podia ser diferente. As coisas com ela tinham esses misticismos, tudo tinha significado, toda ação, por mais simples que fosse, tinha algo mágico por trás. Ela tinha amigos assim também, mas eu não conseguia me apegar…read more

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E se a gente saísse numa aventura?

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E se a gente não voltasse mais pra casa? E se a gente pegasse seu carro e fosse dirigindo pra longe, pra qualquer lugar, passar uns dias, até o dinheiro acabar, até alguém achar que a gente não tem o direito de ficar longe tanto tempo? E se a gente vivesse de luares estrelados, noites congelantes, música mixadas pelo Saux, sexo no banco de trás, comida congelada e motéis de beira de estrada? E se a gente pudesse ficar horas e horas abraçados, trocando calor e frio, suando um sobre…read more

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Paciência

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Dai ele me disse que tinha uma ideia foda. “Cara, tive uma ideia foda!” e eu fiz cara de quem estava pronto para ouvir, enquanto pensava “cara, você é um idiota”, e fingia ouvir alguma coisa sobre qualquer assunto totalmente desinteressante para mim. Eu estava completamente tomado por uma irritação agressiva, quase incontrolável, que me fazia odiar qualquer coisa. Acima de tudo, eu odiava gente que tinha “ideia foda” a cada cinco minutos. Esse tipo de grande ideia não aparece assim, igual mosca na carne do almoço. Isso demora. Eu…read more

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Amores de festa de sábado à noite

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Estava quente no quarto, era domingo, daqueles domingos que não têm absolutamente nada de especial, que o céu está azul e ensolarado, mas ninguém quer ir ao parque, nem tomar um sorvete, nem dar uma volta de bicicleta, nem nenhum clichê de domingo. Mais ou menos uma da tarde, por aí, uma cama de solteiro insuficiente para os dois, insuficiente até mesmo para um solteiro sozinho, e o calor visceral do ar, do sol e dos corpos semi-suados tentando dormir grudados naquele bafo sufocante. Nenhum carinho, nenhum beijo de “bom…read more

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Sobre o sumo alheio

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Se quiser saber meu gosto, que saiba, e me prove do jeito mais puro que existe, sem temperos, sem recipientes, sem guardanapos, embalagens, palitos ou talheres. Chupe-me como fruta, sorva-me como seiva, coma-me como carne. Assim saberá meu gosto, saberá da minha parte mais sincera e imutável, da minha essência e do meu verdadeiro ser. Te ofereço minhas pétalas abertas, minha casca já amolecida, minha baba pingando do alto como um fruto implorando pra ser colhido. São terrenas essas nossas relações de curiosidade. Depois disso a gente troca de pele…read more

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Sensual e fictício

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A porta fechada que era pra fingir que o mundo tinha parado de existir e tudo o que restava era aquele quarto. Os corpos tremendo de frio e tesão, cheios de pontas de dedos muito frias e narizes que pareciam bicos de gelo. No escuro, quase nada visível, quase nada pra ver e calma, uma extrema calma que descia dos cantos das paredes e lambia os pés da cama, as costuras e as franjas da cortina, os beiços do tapete e as nossas canelas. De costas, apoiada na parede como…read more

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Estaca 0,1

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Ela me olhava quando eu não estava olhando. E quando me via atento ao caminho, olhando para frente, pensava em quanto me queria para si. Mas eu me virava e ela disfarçava, fingia estar olhando depois de mim, pela janela, lá fora, e eu fingia não perceber a mentira. O carro quentinho, mas a chuva e o frio batendo cartão do lado de fora e o destino era qualquer lugar. Era pretexto, só pra ficar junto, só para poder olhar para mim. Tinha aqueles vícios de gente que não consegue…read more

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Os verbos e o tempo deles

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– atenção passageiros, não entrem em pânico! Isto é apenas um exercício. Eu queria sair de casa com um maço de cigarros no bolso, um dinheiro no banco, algum lugar pra ir e, depois disso, não ter mais planos fixos. Eu sairia fumando um atrás do outro, caminhando ao encontro dos meus amigos, os mesmos de antes, os velhos amigos, e a gente ia passar algum tempo conversando, falando sobre a vida, lembrando das mesmas coisas boas, as memórias que voltam sem nunca cansar. A gente ia rir disso, daquilo,…read more

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Um ano de coisas boas

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Não é difícil encontrar gente escrevendo sobre o que é que faz da vida essa experiência tão intensa que todos nós sentimos diariamente. Tem gente que acha que a vida é feita de vontades e realizações, outros dizem que a vida é feita da satisfação em buscar e adquirir conhecimento. Outros dizem que o bom da vida é juntar dinheiro, comprar coisas, viajar o mundo, desfrutar de luxo e fartura. Sinceramente? Acho que a vida de cada um é feita de alguma coisa e essa coisa, na verdade, é tão…read more

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Visita

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Era noite, passava das onze, e alguém bateu palmas no portão. Imaginei ser alguém pedindo fora de hora, ou algum dono de um carro pouco competente pedindo um “empurrãozinho” e, por isso, levando em consideração a hora e o frio, ignorei. Mas depois de outras palmas ela gritou meu nome, e meu coração pulou pra fora da boca agitado, como um cachorro vira-latas hiperativo, foi pulando pela casa manchando tudo, parou na ponta e ficou balançando o átrio direito e batendo para mim. Tive que abrir. “O portão está aberto”,…read more