Memórias Utópicas

Sobre onde morrem as pessoas infelizes da cidade

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Com o corpo marcado de músculos, queimado de um sol que não sabe o que é trégua, e o tronco nu, exibido aos quatro cantos do mundo, berrou a plenos pulmões com as mãos para cima. Um urro gutural e longo, tão longo quanto o fôlego de uma pessoa desidratada consegue ser, que nadou na imensidão vazia de um deserto arenoso e selvagem. Era o quintal. Era o Brasil que Deus não criou. Eram lugares grandes demais para qualquer tipo de eco. Paraíso tropical, fiscal e social, só que tudo ao…read more

No weed, just wood!

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Eu queria ir pro mato, fumar um cigarro durante o nascer do sol, sentir o vento frio da manhã, pensar sobre a grandiosidade da vida e me deprimir sem limites. Para uma garota de quase 20, com mais parceiros sexuais do que anos de vida, eu me sentia bem madura. É que chega uma hora que já não dá mais para ser muito louca, muito liberta, muito selvagem. Tem dias que eu acordo querendo usar a roupa mais comum do mundo, ir até a padaria, pedir café com leite e…read more

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Paciência

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Dai ele me disse que tinha uma ideia foda. “Cara, tive uma ideia foda!” e eu fiz cara de quem estava pronto para ouvir, enquanto pensava “cara, você é um idiota”, e fingia ouvir alguma coisa sobre qualquer assunto totalmente desinteressante para mim. Eu estava completamente tomado por uma irritação agressiva, quase incontrolável, que me fazia odiar qualquer coisa. Acima de tudo, eu odiava gente que tinha “ideia foda” a cada cinco minutos. Esse tipo de grande ideia não aparece assim, igual mosca na carne do almoço. Isso demora. Eu…read more

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EU A QUERIA MAIS QUE TUDO NO MUNDO (PARTE 2)

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Demorei alguns segundos para perceber que estava tocando uma música. Ela tinha ligado o celular em alguma espécie de caixa de som high-tech que eu tinha achado que era um banco no chão. Largou as roupas todas pelo chão, estirou os pés sobre a mesinha de centro e ficou dançando como quem está sozinho no último lugar do mundo antes do apocalipse. Ela queria que eu a visse, mas não queria se sentir observada. “Dance como se ninguém estivesse olhando” eu pensei, tentando traduzir os olhos fechados dela, os braços…read more

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Eu a queria mais que tudo no mundo (parte 1)

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Nos primeiros dois meses era só admiração, como se eu tivesse conversando com algum famoso cuja carreira me inspirasse ou alguém da música cujos discos eu cansei de ouvir e, de repente, estava falando comigo sobre como foi o dia, sobre amenidades e contando tudo sobre o mundo da fama, sobre o lado de lá, sobre como as coisas realmente funcionam. Eu era fã dela! Mas como não era famosa, nem prestigiada, nem ninguém muito mais importante que a maioria dos que vivem no mundo, comecei a perceber que a…read more

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Doládelá

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Eu dei uma sumida de dois dias – e sumir é coisa séria, pode acreditar. Troquei essas linhas de letras firmes e sempre direcionadas da esquerda pra direita pelas faixas intermitentes da estrada, farol alto na contra mão é falta de respeito, estrelas pra cima, olhos de gato para baixo, e meus olhos fechados para ver além. Fui pra outro lugar, um lugar que fica doládelá da estrada, no fim das placas de quilometragem, lá depois de onde as coisas perdem a pressa, onde o ritmo é outro, o cheiro…read more

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As coisas que pulsam

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(esse texto é um exercício fantasiado de texto, ok?) Em pé, descalça com os pés no chão de madeira, o horizonte das luzes no fundo escuro do céu é o limite. Os cabelos muitos pretos, muito compridos e vivos como cobras, sobrevoam os ombros, as costas e vão para trás a cada nova rajada de vento que entra pela janela. Ela ali, procurando com os olhos uma das luzinhas que faça alguma diferença. Mas não faz. São todas iguais. Sempre iguais. Assim como o vento, os cabelos e os cigarros….read more

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Na vontade

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Tem coisa que a gente sente antes mesmo de acordar. Vem uma sensação estranha durante o sonho e quando os olhos abrem o sentimento já está lá. Pode ser uma coisa simples e comum, como vontade de ir ao banheiro, ou sede, ou fome. Outras vezes são vontades mais complicadas, como saudades de alguém, de algum lugar, de alguma coisa, e hoje ela acordou assim. Com uma vontade que não finda, que não se engana, que cresce dentro e vai saindo pra fora, pelos poros, arrombando os buracos e se…read more

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Leia Caio Fernando Abreu

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Logo que surgiu um sopro de chance de voltar para São Paulo, de voltar a morar e habitar aquela loucura, tratei de caçar meu livro – inacabado – de crônicas do Caio Fernando Abreu. E digo “morar” porque quando se trabalha em um lugar como aquele, dá-se o sangue até o talo, ou pede-se a dispensa. Não existe um ser que trabalhe em São Paulo sem passar mais tempo na labuta do que em casa. Sendo assim, mora-se no trabalho e visita-se o lar. E o livro do Caio F….read more