Memórias Utópicas

O desejo de ir

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Era meu desejo, ir. Arrumei minhas poucas coisas, abandonei o que não tinha salvação, tomei um avião e fui, como era planejado. Eu desejava ir ao Marrocos, ver os arabescos, os azulejos, as fontes, os fortes, as cores, o cheiro, o gosto e, já no primeiro dia, senti aquele abraço quente que o mundo dá nos viajantes que, no meio de uma caminhada ao fim da tarde, se dão conta de sua existência em outro lugar do planeta, sozinhos, corajosos e empolgados com a descoberta. O deserto foi a porta…read more

Eu vou mudar a sua vida!

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A porta abre e ele vem na minha direção com o olhar voraz de uma serpente. Se esgueira pelos cantos, atravessa o corredor ladeando os batentes de porta e a moldura da janela e não para mais. Quando chega ao quarto eu já estou no chão, mole, entregue, com as meias pinicando e o cabelo sem formato. Nunca conheci um homem que me fizesse sentir dessa maneira, uma intensidade absurda, a vontade de gritar antes do primeiro beijo, a tremedeira sem controle, os arrepios que duram meses. Troquei meu medo da…read more

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Estaca 0,1

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Ela me olhava quando eu não estava olhando. E quando me via atento ao caminho, olhando para frente, pensava em quanto me queria para si. Mas eu me virava e ela disfarçava, fingia estar olhando depois de mim, pela janela, lá fora, e eu fingia não perceber a mentira. O carro quentinho, mas a chuva e o frio batendo cartão do lado de fora e o destino era qualquer lugar. Era pretexto, só pra ficar junto, só para poder olhar para mim. Tinha aqueles vícios de gente que não consegue…read more

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Muda

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Ela já não vinha em busca de nada. Antes ainda se preocupava em dar satisfação, inventava histórias, fazia de conta que tinha algo para mostrar, trazia desenhos de rostos muito bem detalhados, de cenas urbanas na chuva e eu sempre dizia que ela deveria trabalhar com isso. Mas ela não me ouvia, não queria nem saber. Depois de cinco minutos aqui dentro, já estava sentada no sofá, com a blusa longe, me olhando com a convicção de quem hipnotiza pelos olhos. Só que depois ela desencanou do teatro e eu…read more

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Calípso [2/3]

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Naquela noite não conversamos muito. Era estranha a sensação de falar com alguém que você conhece, mas que não faz a menor ideia de quem você é. Mesmo sem falar, lá de longe, dá última cama do quarto, ela conseguia a  minha atenção. Ignorando completamente a minha presença, trocou de roupa sem pudores ou dúvidas. Tirou as botas, a jaqueta preta, depois os brincos e o colar, depois o relógio, depois a outra peça de roupa que estava por baixo, depois o cinto, a calça apertada, que deu mais trabalho…read more

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Calípso [1/3]

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Eu a conheci durante uma viagem para a Alemanha, enquanto tentava dormir numa cama barulhenta de um quarto coletivo de um albergue em Berlim. Seis camas, só eu no quarto: alegria plena. Mas no meio da noite a luz acendeu, uns barulhos foram se arrastando pelo corredor e eu acordei. Não abri os olhos, mas fiquei prestando atenção nos passos, nos sons, nas vozes e concluí que eram duas ou três garotas chegando. Aí decidi acordar de verdade. Quando olhei, na última cama, lá perto da janela, uma única garota…read more

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A calma daqui de dentro

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Calma. Eu tô vivendo, tô vivendo! Faltaria paciência para mim se eu fosse você, assim como falta paciência em você para entender alguém como eu. Tem maldição que faz a gente rir, tem maldição que é feita errada e volta pra quem fez, mas tem maldição que pega. Pegou. Mas não significa que tudo vai ser uma merda, que agora a vida já vai começar a ficar cinza e sem graça, que passou a euforia e ficou o marasmo. Quero hoje, sim, e muito, assim como quis sempre. É que…read more