Memórias Utópicas

O que eu tô fazendo aqui?

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Tinha uma luz azul em todo o ambiente, as paredes eram escuras, o bar estava vazio, a pista tinha duas pessoas, homens, conversando enquanto bebericavam garrafas de cerveja, o palco estava apagado, o pole dance prateado vazio e as cortinas do fundo imóveis. Estava assim quando a gente chegou. Uma das meninas pediu para subir no palco enquanto o show não começava e ganhou permissão para fazer o que quisesse. “Deixa a menina fazer o que quiser”, disse um dos caras da pista para a mulher atrás do balcão. Fiquei…read more

O que a gente fez da nossa vida?

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O que a gente fez da nossa vida? Porra, essa pergunta exige uma introdução breve. Eu morava num lugar onde a água só chegava três dias na semana e nunca eram os mesmos. Era uma agonia eterna de ter que abrir a torneira para ver se era dia de água ou não. Parecia que nunca era. A gente comia bolacha água e sal, ficava de cócoras equilibrado sobre os calcanhares e olhava o movimento da rua de cima do muro. Seis moleques, todos magros até o osso, agachados igual urubus, mastigando…read more

Eu vou mudar a sua vida!

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A porta abre e ele vem na minha direção com o olhar voraz de uma serpente. Se esgueira pelos cantos, atravessa o corredor ladeando os batentes de porta e a moldura da janela e não para mais. Quando chega ao quarto eu já estou no chão, mole, entregue, com as meias pinicando e o cabelo sem formato. Nunca conheci um homem que me fizesse sentir dessa maneira, uma intensidade absurda, a vontade de gritar antes do primeiro beijo, a tremedeira sem controle, os arrepios que duram meses. Troquei meu medo da…read more

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Isso os filmes não contam

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Ficava com os pés juntos, os dedos contraídos, sentada no canto da sala enquanto a televisão muda passava as cenas sem parar. Passava horas assim, separada do mundo, fazendo parte de alguma outra realidade, longe daqueles sofás, do tapete e dos ácaros que o tapete adotou como seus. Vivia no além mar das ideias abstratas sobre coisas sem nome. Gostava de pensar que ficar ali, agarrada a si mesma, lhe dava poderes de passar a história do filme da própria vida para frente e para trás. Fechava os olhos e se…read more

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“Ser o que se pode é a felicidade”

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“Ser o que se pode é a felicidade”, escreveu Valter Hugo Mãe, um português malandro que escreve sem usar diálogos, sem usar travessões e sem usar pontos de interrogação. O que ele usa é sentimento e delicadeza, isso sim. Hoje no metrô eu li essa frase no livro O filho de mil homens escrito por ele e publicado pela absurda COSACNAIFY. Na verdade eu não li a frase. Tropecei nela na página 77, saí catando cavaco, quase caí de cara no chão da vida e quando me recompus senti alegria….read more

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Escolhas, só escolhas!

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Você pode escolher as coisas. É ótimo ter opções, ter liberdade de escolha, mas muitas vezes a gente se esquece disso e decide por impulso, pressionado por alguém ou simplesmente escolhe qualquer coisa porque não prestou atenção no potencial da situação. A gente pode escolher beber dois litros de água por dia, ou pode beber dois litros de cerveja. Uma escolha vai te hidratar e te deixar neutro. A outra vai te deixar animado e eufórico, mas desidratado e confuso. Escolhas, cara! A gente pode escolher viver a vida toda…read more

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Que se abra!

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(Estou enferrujado, esse é só para aquecer e voltar…) Saiu de casa cedinho, não devia ser nem 6h da manhã, numa quinta-feira sonolenta, fria, nublada, úmida, nem um pouco atraente a quem quer que fosse. Os cachorros vadios não estavam lá. Os gatos selvagens deviam estar dormindo debaixo de alguma garagem, algum telhado quente, junto com morcegos, aranhas e pombas, porque não tinha nenhum ser vivo na rua. Nem bicho, nem gente. Chinelos Havaianas tamanho 36, canelas calejadas, pernas finas e lisas, peladas, que terminavam dentro de um vestido de…read more

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Sobre o sumo alheio

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Se quiser saber meu gosto, que saiba, e me prove do jeito mais puro que existe, sem temperos, sem recipientes, sem guardanapos, embalagens, palitos ou talheres. Chupe-me como fruta, sorva-me como seiva, coma-me como carne. Assim saberá meu gosto, saberá da minha parte mais sincera e imutável, da minha essência e do meu verdadeiro ser. Te ofereço minhas pétalas abertas, minha casca já amolecida, minha baba pingando do alto como um fruto implorando pra ser colhido. São terrenas essas nossas relações de curiosidade. Depois disso a gente troca de pele…read more

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Ninguém, nem nada

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Esperava uma recepção calorosa, cheia de sorrisos, abraços apertados e conversas interessadas. Mas não, porque a volta pra casa é sempre solitária pra quem é sozinho. Não se tem alguém para encontrar em casa, não se tem para quem contar o dia, não se tem para quem pedir o último gole, ou levar um doce como desculpa por ter chegado tarde demais. Não teve recepção nem do cachorro, porque este não existia. Ninguém, nem nada. O lado ruim de beber, isentando qualquer preocupação com a saúde, é que beber nos…read more